Dólar em alta

Dólar em alta ameaça economias da Argentina e Brasil!

O dólar em alta tem se mostrado um fator limitador para economias de potencias em ascensão latino-americanas, como a Argentina e o Brasil.

Mas o aumento da moeda norte-americana põe em risco estas duas economias?

A capacidade financeira da Argentina para lidar com o aumento do dólar dos EUA é limitada. Um peso enfraquecido fará com que ele perca sua meta de inflação este ano. Mas nem todas as notícias são más. Pois o país foi recentemente atualizado para o status de mercado emergente.

A moeda do Brasil também deve se depreciar ainda mais em relação ao dólar. Mas o superávit comercial, baixa taxa de inflação e outras forças econômicas aliviarão os efeitos negativos do dólar.

A incerteza sobre o resultado da eleição presidencial do Brasil em outubro poderia fazer com que o banco central elevasse as taxas de juros. Caso isso se confirme, o fato desaceleraria o crescimento econômico.

O fortalecimento do dólar dos EUA está causando fuga de capitais em mercados emergentes, como  Argentina  e  Brasil . No mês passado, o peso argentino e o real brasileiro estão entre as moedas com pior desempenho do mundo em relação ao dólar. Apesar desse fraco desempenho e do efeito negativo que o dólar em ascensão terá nas economias, existem grandes diferenças entre a capacidade financeira da Argentina e do Brasil.

Argentina: uma delicada situação financeira

Além da Venezuela, a situação financeira da Argentina é de longe a mais delicada da América do Sul.

Buenos Aires tem incorrido em déficits comerciais e em conta corrente, e suas reservas internacionais não são grandes o suficiente para domar a desvalorização do peso.

Suas reservas internacionais são superiores a US$ 60 bilhões e o déficit em conta corrente atingiu 4,8% do produto interno bruto no ano passado. Além disso, a Argentina tem emitido dívida pública em moeda estrangeira para cobrir seu déficit fiscal, que deverá ser de cerca de 2,8% do PIB este ano.

Sua incapacidade de reduzir a inflação torna seu caso mais arriscado do que outros mercados emergentes, e o enfraquecimento do peso pressionará ainda mais a inflação. O governo já revisou sua meta de inflação para o ano, elevando-a de 15% para 26%.

Por causa das fraquezas da economia, o presidente Mauricio Macri decidiu pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 7 de junho, a Argentina assinou um acordo com o FMI para receber um empréstimo em espera de US$ 50 bilhões. Logo, a entidade estabeleceu metas fiscais e inflacionárias ambiciosas.

O governo reduziu sua meta de déficit fiscal de 3,2% para 2,8% do PIB. A meta do próximo ano será de 1,3%, enquanto a meta de inflação para 2019 será de 17%. Para atender às condições do FMI, o governo terá que cortar gastos públicos.

A Confederação Geral do Trabalho, o maior sindicato da Argentina, fez uma greve de 24 horas em todo o país no dia 25 de junho para protestar contra o acordo do governo com o FMI. Os aumentos salariais, negociados com o governo e empresas privadas no início do ano, estão agora bem abaixo da taxa de inflação esperada. O sindicato quer novas negociações. O governo vai querer manter os salários sob controle para tentar reduzir a inflação. É provável que o capital político de Macri diminua drasticamente, rumo às eleições do ano que vem, enquanto ele continua a buscar reformas econômicas e comerciais.

Mas nem tudo é uma má notícia para a Argentina. Este mês, o provedor de índices MSCI atualizou o status de mercado do país da fronteira para o mercado emergente, uma designação que lhe permitirá atrair investimentos estrangeiros de longo prazo. A chave para a atualização foi uma lei do mercado de capitais aprovada pelo Congresso em maio. O projeto de lei levantou algumas das restrições que impediram que fundos de investimento colocassem dinheiro em imóveis, terras agrícolas e outras áreas menos arriscadas da economia.

Brasil: melhor, mas ainda não é ótimo

O maior país da América do Sul também faz parte de um grupo de mercados emergentes que viu sua moeda cair significativamente em relação ao dólar americano no mês passado. Está em melhor posição para lidar com a depreciação do que a Argentina é, no entanto. O Brasil vem reportando superávits comerciais nos últimos três anos e seu déficit em conta é de apenas 0,5% do PIB. Além disso, suas reservas internacionais são de cerca de US $ 380 bilhões – mais de seis vezes as da Argentina. E a taxa de inflação do Brasil deverá ficar abaixo de 4% este ano. A baixa inflação dá ao Brasil algum espaço para moderar os aumentos nas taxas de juros.

Embora esteja em uma posição mais confortável do que a Argentina, ainda enfrenta desafios. O aumento do dólar dos EUA forçará seu banco central a interromper seu ciclo de afrouxamento monetário, provavelmente desacelerando a recuperação econômica do país. Desde 2016, o banco central do Brasil vem reduzindo gradualmente as taxas de juros, já que a inflação caiu de mais de 10% em 2015 para menos de 3% no ano passado. Suas taxas de juros caíram de 14,25% há dois anos para uma baixa histórica de 6,5% neste ano. Essa tendência, no entanto, pode ser revertida se o real continuar se depreciando em relação ao dólar.

Até agora, o banco central disse que não aumentará as taxas de juros, preferindo domar a desvalorização oferecendo swaps cambiais. Nas últimas duas semanas, o banco central ofereceu mais de US $ 30 bilhões em tais swaps. Embora não drenem as reservas internacionais de um país, porque funcionam como um hedge para os investidores, podem ter um impacto fiscal negativo sobre o governo, caso o real continue caindo em valor este ano.

Além da fuga de capitais causada pelo aumento do dólar, a incerteza sobre o resultado das  eleições brasileiras  em outubro está contribuindo para a desvalorização da moeda. De acordo com várias pesquisas recentes, o candidato de centro-esquerda Ciro Gomes está empatado em segundo lugar com a ambientalista Marina Silva, indicando que ele tem uma boa chance de chegar a uma segunda rodada de votação presidencial. Gomes causou preocupação entre os investidores ao propor aumentar impostos sobre lucros financeiros, tributar transações financeiras e expropriar campos de petróleo que o governo leiloou nos últimos dois anos.

A incerteza sobre  quem assumirá a presidência do Brasil  em 1º de janeiro de 2019 poderá exacerbar a volatilidade do real e forçar o banco central a mudar suas táticas para lidar com o aumento do dólar americano. O banco central pode ser forçado a aumentar as taxas de juros ainda este ano ou usar suas reservas internacionais para reduzir a depreciação. Um aumento da taxa de juros, associado à incerteza política, provavelmente afetará negativamente o crescimento econômico. Os ventos contrários globais e domésticos podem acabar diminuindo o ritmo da recuperação econômica brasileira neste ano.

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