Problemas econômicos fazem parte de um só problema

Se olharmos para trás, especificamente no ano 2000, e prestarmos atenção na economia, pouca coisa teria mudado. Isso porque dentro desses 19 anos, os problemas econômicos não mudaram tanto.

Crescimento econômico tem sido mais lento do que costumava ser em grande parte do mundo e a inflação e as taxas de juros eram menores. Além da mudança em relação ao envelhecimento da população, o que muda a demografia da força de trabalho. O fraco crescimento da produtividade também.

É impossível negar que a lista é bem deprimente. Por sua vez, os problemas presentes são bem discretos, com suas próprias causas e possíveis soluções. Mas e se todas essas “megatendências” forem o mesmo problema?

Por exemplo:

  • A desigualdade está contribuindo para o fraco crescimento e as baixas taxas. Isso porque os ricos tendem a economizar dinheiro ao invés de gasta-lo.
  • A produtividade talvez esteja fraca porque o fraco crescimento significou que as empresas não foram forçadas a inovar para atender à demanda.
  • A concentração da indústria pode ter deixado as empresas com mais poderes para fixar salários, o que resultou em desigualdade e inflação menor.

Bem, essas teorias sobre os problemas econômicos não podem ser consideradas definitivamente comprovadas. Mas há evidências que apoiam cada uma delas.

Grande parte da pesquisa econômica atual tenta entender – e provar – possíveis conexões entre esses problemas econômicos. Em fevereiro, por exemplo, um documento propôs que as baixas taxas de juros estão alimentando uma concentração crescente das principais indústrias.

E um baixo crescimento da produtividade.

Uma outra oferece evidências de que a demografia do envelhecimento é um fator importante para a fraca produtividade.

Você até pode não concordar totalmente com essas ligações. No entanto, elas sugerem que estivemos pensando errado sobre os problemas econômicos mundiais.

Por que baixas taxas de juros podem favorecer líderes de mercado?

Normalmente, baixas taxas de juros devem facilitar o investimento e expansão para pequenas empresas. No entanto, imagine a seguinte situação:

Uma cidade onde dois hotéis estão competindo por negócios. Um parte de uma cadeia gigante e o outro é independente. O hotel da cadeia pode ter uma tecnologia e marketing melhores, para conseguir uma vantagem. Por isso, é capaz de cobrar um pouco mais pelos quartos e ser mais lucrativo.

Porém, é basicamente um campo de jogo nivelado. Isso porque quando as taxas de juros caem para níveis baixos, a recompensa por ser o líder do setor aumenta. Ainda mais se for sob a lógica de que um negócio que gera determinado fluxo de caixa é mais valioso quando as taxas estão baixas.

Um líder de mercado tem mais a ganhar com investimentos. “Com as taxas de juros baixas, a avaliação dos líderes de mercado aumenta em relação ao restante (…) A Amazon se torna muito mais valiosa à medida que as taxas de juros caem em relação a um player menor no mesmo setor”, afirma o economista Atif Mian.

No entanto, pesquisadores argumentam que isso pode fazer com que os participantes menores invistam. O que diminui o crescimento da produtividade em toda a economia. Isso pode criar um ciclo auto-sustentável em que os líderes do setor investem mais e alcançam o crescente domínio de sua indústria.

Pesquisadores testaram a teoria contra os dados históricos do mercado de ações desde 1962. Nisso, eles descobriram que a queda das taxas de juro realmente se correlacionava com líderes de mercado que superavam concorrentes.

Leia também: Qual a importância de fluxo de caixa para pequenas empresas?

Como um população envelhecida afeta a produtividade?

Com o objetivo de aplicar um novo olhar sobre como ocorre essa interação entre os problemas econômicos, profissionais da Moody’s Analytics tentaram desfazer os laços entre a mudança demográfica e a produtividade do trabalho. E, como esperado, ninguém contestou que o envelhecimento reduz as taxas de crescimento.

Com muitos na geração de baby booms se aposentando, menos pessoas trabalham e produzem. O que, inevitavelmente, reduz a produção econômica.

Porém, ao tratar de eficiência da empresa, trabalhadores mais experientes podem gerar mais resultados para cada hora de trabalho. Por sua vez, estariam menos dispostos a aprender a tecnologia mais recente. Ou adaptar o estilo de trabalho em ambientes com constantes mudanças.

Os economistas Adam Ozimek, Dante DeAntonio e Mark Zandi descobriram que uma força de trabalho envelhecida pode explicar a desaceleração na produtividade entre 0,3 e 0,7 pontos percentuais por ano nos últimos 15 anos.

“É possível que os trabalhadores mais velhos ainda possam ser os melhores trabalhadores em suas empresas. Mas não vale a pena para eles ou para a empresa treinar e aprender coisas novas”, explica Ozimek.

Leia também: Aprenda como se aposentar sem depender da Previdência

Esses resultados dificilmente trazem o fim da discussão. Mas conseguem trazer reflexões sobre conexões não intuitivas escondidas à vista. No fim, tudo acaba afetando tudo.

FONTE

Post Relacionados

Deixe uma resposta